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Saturday, November 8, 2008

O Vazio

Vou continuar a falar de política neste blog. Tendo eu estado na América (ou nos EUA) durante o período de eleições e primárias, era com alguma expectativa que aguardava o discurso de vitória do preto escanzelado. Era a primeira vez que um preto magro chegava à Casa Branca. Afinal, há esperança para todos aqueles que têm um metabolismo acelerado.

Ouvi o discurso do Mac. E o Mac fez um discurso digno, aquilo que se espera de um derrotado com sentido de Estado. Em Portugal fizeram um grande alarido do discurso de derrota do Mac e não sei bem porquê. O Mac assumiu toda a culpa da derrota! Mas que raio esperava o povo que ele fizesse? 'A culpa foi toda da Palin que não sabe que os ursos polares não migram para a Rússia!'. O discurso do Mac foi normalíssimo! Excluindo África e a Venezuela, alguém ouviu alguma vez um discurso de derrota menos digno que este? Não sei que esperava o povão.

E depois veio o discurso de vitória. E o Barack Obama de repente virou o Reverendo Obama. O discurso foi do mais vazio que se poderia esperar, totalmente virado para o sentimentalismo tosco e básico. Eu, que sou ateu convicto, fiquei com os pelos em ponta quando comecei a ouvir o Rev. Obama a repetir 'Yes we can' como se de uma oração dos fiéis se tratasse. A religião não é comigo e achei o discurso de mau gosto. Mas como dizia a Japi, que mais podemos esperar de alguém que baseou toda a campanha em 'Hope and Change'?

Hope é o que todos temos neste gajo de metabolismo acelerado...

Wednesday, January 9, 2008

Tenho uma lágrima no canto do olho

Rápido update ao panorama político. Eu sei, já não chega de política? Cá vai uma promessa a boa moda dos políticos: prometo que não volto a falar de política nas próximas duas semanas. Mas esta é tentadora.
Então a discussão de hoje é: quantos votos vale uma lágrima? A história é simples: Segunda-feira a gaja ia com 10% de desvantagem em todas as sondagens (oito empresas diferentes). Segunda-feira a noite num encontro com eleitores a gaja emocionou-se, ficou com a lágrima no canto do olho e o episódio foi repetido até a exaustão na tv. Terça-feira a gaja ganhou com 4% de diferença. Foi a lágrima ou não, eis a questão? Portanto a pergunta que vos deixo é: quantos votos vale uma lágrima? Para quem quiser um pouco mais de informação, cá vai o vídeo da famosa lágrima.

E não é que a gaja ganhou?!

Querem sondagens? Talvez não queiram encomendá-las neste país. De uma sondagem favorável ao preto por uma margem de 10% passou-se a um resultado favorável a gaja por 4%. Quase lá. O preto é que se lixou. Baralha e volta a dar e volta tudo ao início. Do outro lado, o mormon continua a acumular segundos lugares mas sempre positivo: da próxima é que é. Parece o Benfica mas com um bocado mais de dinheiro.
E agora a outra novidade do dia: a temperatura. Senhoras e senhores, prepararem-se para a bomba: hoje tivemos 20 graus (centígrados) na cidade. Spring is in da town baby! Até deu para deixar o cachecol em casa. Há que aproveitar: a onda de calor vai durar dois dias, sexta já regressa o fresquinho.

Tuesday, January 8, 2008

As Primárias como se eu tivesse 5 anos – Pequeno ensaio político

Atenção! Este post contém linguagem potencialmente ofensiva. OK, agora já posso insultar à vontade!
Hoje são as primeiras primárias aqui nos States. Não se pode ligar a tv sem apanhar com cobertura em directo das campanhas ou com publicidade dos 40,000 candidatos que ainda estão na corrida. Para quem não percebe um charuto do que eu estou a falar, aqui vai uma explicação básica do que são as primárias.
Temos 2 partidos (os elefantes e os burros) ao soco interno, ou seja, neste momento os elefantes estão-se a cagar para os burros e vice-versa e andam ao soco entre eles internamente. Do lado dos burros estão realmente em jogo um preto, uma mulher e um gajo que parece ter capachinho. Este trio acha que quem ganhar entre eles irá quase de certeza suceder ao bronco (ups! ao Bush). Do lado dos elefantes temos um mormon milionário, um pastor evangélico, um lobbista, um doente e um actor. Estes senhores acham que têm hipóteses de ganhar no um contra um contra o melhor dos burros.
Hoje acontecem as primeiras eleições a sério para começar a escolher o burro mor e o elefante mor e são aqui mesmo ao ladinho de casa, em New Hampshire, o estado que nas placas de matrícula põe ‘Live free or Die’. A questão é que no primeiro ensaio da semana passada (chamado Caucus e que basicamente é uma reunião da sueca em que a malta no final diz de quem gosta mais) o preto e o pastor tiveram vitórias surpresa (cada um do seu lado, claro!). E portanto se estes senhores aqui do lado, que entre outras coisas não taxam o álcool nem o tabaco e andam de arma no coldre como se fossem cowboys, elegerem os mesmos dois deixam-nos muito bem lançados para as primárias nos restantes estados.
Parece que o preto tem mais hipóteses que o pastor, até porque o ‘Live free or Die’ não se ajusta muito bem aos valores do evangelho, mas enfim. O mormon está à espreita. Quem está na fossa é a gaja (hoje até chorou e tudo), que não vê jeitos de dar a volta à situação. O Bill bem tenta puxar por ela mas nada.
Outro exercício curioso é contar as vezes que a palavra ‘Change’ é mencionada no discurso de TODOS os candidatos. Sejamos honestos, depois de 8 anos com este gajo, obviamente o que toda a gente quer é MUDAR. Portanto os debates televisivos assemelham-se a um sketch dos Gato Fedorento:
- Eu sou um agente de mudança
- Não, sho doutor, eu sou um agente de mudança
- Desculpem-me os dois mas eu inventei a mudança. Antes de eu entrar na política não existia mudança.
- Eu ouço-vos falar aos três bla!bla!bla! e vocês esquecem-se que a mudança é minha prima, e que eu, como a minha religião permite, até já fui para a cama com ela, portanto eu conheço a mudança melhor que qualquer candidato.
Argumento decisivo, debate acabado. Isto são as primárias 2008 explicadas a uma criança de 5 anos. Para a versão para adultos podem ir a http://www.nytimes.com/pages/politics/.